Relato de caso sugere potencial da psilocibina em paciente com Alzheimer avançado
Um artigo publicado recentemente na revista científica Frontiers in Neuroscience apresentou o caso de uma paciente idosa com Alzheimer em estágio avançado que demonstrou melhorias funcionais significativas após o uso de uma dose alta (5 g) de cogumelos Psilocybe cubensis da strain Enigma.
Segundo o relato, cerca de 19 horas após a administração, a paciente despertou de um período de sono profundo e passou a relatar espontaneamente memórias e experiências pessoais. A intervenção foi seguida pela recuperação da continência urinária (perdida havia cerca de cinco anos) e pela retomada da capacidade de caminhar sem auxílio. Essas melhorias persistiram por semanas. Um mês depois, uma segunda sessão (3 g) pareceu reforçar os ganhos observados, especialmente em relação ao humor, à expressão emocional e à mobilidade.
Os pesquisadores sugerem que, embora a substância não reverta o Alzheimer, ela pode estimular a capacidade do cérebro de formar novas conexões e reorganizar circuitos afetados pela doença. Eles também propõem que algumas habilidades que parecem perdidas podem continuar preservadas em algum grau, mesmo em casos avançados de demência, tornando-se temporariamente acessíveis após determinadas intervenções.
Como se trata de um único relato de caso, os resultados observados devem ser interpretados com cautela. O estudo reforça a importância da realização de ensaios clínicos controlados com pacientes com Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas para investigar melhor o potencial terapêutico da psilocibina nessas populações.
O artigo está disponível na íntegra:
https://www.frontiersin.org/journals/neuroscience/articles/10.3389/fnins.2026.1813281/full