Estudo piloto investiga psilocibina na Síndrome Pós-Tratamento da Doença de Lyme

A Doença de Lyme é uma infecção bacteriana (geralmente causada por Borrelia burgdorferi) transmitida por carrapatos. Entre 10% e 20% das pessoas tratadas desenvolvem a chamada Síndrome Pós-Tratamento da Doença de Lyme (SPTDL), caracterizada por fadiga persistente, dor crônica, dificuldades cognitivas e alterações de humor. Atualmente, não há tratamento específico estabelecido para essa condição.

Um estudo piloto aberto conduzido por pesquisadores da Johns Hopkins University acompanhou 20 participantes com SPTDL ao longo de 8 semanas, incluindo duas sessões assistidas com psilocibina.

Principais achados relatados:

  • Redução média de aproximadamente 40% na carga total de sintomas após 6 meses.

  • Melhora significativa em indicadores de qualidade de vida física e mental.

  • Redução de sintomas depressivos entre 50% e 60%.

  • Melhora de quase 50% na qualidade do sono.

  • Reduções de até 55% na dor e cerca de 30% na severidade da fadiga.

  • Perfil de segurança considerado aceitável no contexto clínico, com efeitos adversos leves e transitórios (como cefaleia e elevação temporária da pressão arterial).

Pontos importantes

O estudo possui limitações relevantes:

  • Amostra pequena (n=20)

  • Ausência de grupo controle

  • Desenho aberto (sem cegamento)

  • Possível influência de expectativa

Portanto, os resultados são preliminares e não permitem conclusões definitivas sobre eficácia.

Hipóteses discutidas pelos autores

Os pesquisadores sugerem possíveis mecanismos que merecem investigação adicional:

  • Modulação de processos inflamatórios

  • Aumento de neuroplasticidade

  • Benefícios psicoterapêuticos associados ao contexto assistido

O Futuro

Embora os resultados sejam preliminares e dependam de confirmação em ensaios clínicos controlados, o estudo contribui para ampliar a agenda de pesquisa sobre intervenções inovadoras em condições crônicas de difícil manejo.

Os dados sugerem que futuras investigações poderão explorar a psilocibina em contextos como fibromialgia e síndrome da fadiga crônica, sempre dentro de protocolos rigorosos e supervisionados.

Referência

Garcia-Romeu A, Naudé GP, Rebman AW, So S, Yaffe A, Geithner I, Kozero EA, Yang T, Soloski MJ, Aucott JN. Pilot study of psilocybin in patients with post-treatment lyme disease. Sci Rep. 2026 Feb 25;16(1):7497. doi: 10.1038/s41598-026-38091-9. PMID: 41741501; PMCID: PMC12936178.

Disponível em:

https://www.nature.com/articles/s41598-026-38091-9

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